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ZÉ DO CAIXÃO NA TV

 
 
 

Foi na televisão, em 15 de outubro de 1963, seis meses antes da estréia de À meia-noite levarei sua alma, que Zé do Caixão rogou sua primeira praga, exibindo as unhas compridas e arqueando as sobrancelhas sinistras, no programa de variedades Clube do lar, apresentado por Walter Forster. Pouco menos de quatro anos depois, o “bicho-papão” de capa preta e cartola retornava à telinha, dessa vez como mestre-de-cerimônias de um programa se- manal, com uma hora de duração, exibido pela TV Bandeirantes às sextas-feiras no apropriado horário das 23h. A estréia aconteceu em 15 de setembro de 1967, totalizando 34 programas, até 26 de julho de 1968. A emissora enfrentava baixos índices de audiência, e o programa de Zé do Caixão, extravagantemente intitulado Além, muito além do além, era a aposta para melhorar esses números. Como resultado, a Bandeirantes saiu da última colocação diretamente para a liderança no horário.

A segunda encarnação do programa aconteceu antes mesmo de o primeiro encerrar sua existência, em 13 de julho de 1968, quando Mojica migrou para a TV Tupi, com O estranho mundo de Zé do Caixão – dessa vez sob a direção de Antonio Abujamra. O programa, exibido aos sábados, contava – como o anterior – com roteiros de Rubens Francisco Lucchetti, experiente escritor de contos de horror, profundamente influenciado por Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle. A mente fértil de Lucchetti era responsável por manter o interesse no programa, ao mesmo tempo em que ele cuidava de todos os roteiros dos filmes de Mojica – muitos jamais realizados – e das revistas com histórias em quadrinhos de Zé do Caixão, outro sucesso estrondoso. O estranho mundo de Zé do Caixão foi ao ar pela última vez em 16 de novembro de 1968. Assim como aconteceria com outros acordos firmados por Mojica, a continuidade do programa sofreria com sua falta de habilidade para administrar os contratos.

Um show do outro mundo, levado ao ar pela Rede Record entre 1º de agosto e 25 de outubro de 1981, marcou a última aparição de Zé do Caixão como apresentador de contos de horror na televisão. O programa teve apenas doze episódios e não chegou a obter o sucesso esperado. Nada restou desses três programas: gravados em videoteipe, tiveram suas fitas originais reaproveitadas pelas emissoras, e o material que even- tualmente sobreviveu acabou destruído nos diversos incêndios que vez ou outra ocorriam nos ar quivos das redes de televisão.

Mojica voltou a se caracterizar como seu personagem mais famoso na sessão Cine Trash, da TV Bandeirantes, em 1996, apresentando mais de uma centena de filmes de horror estrangeiros, de segunda à sexta, às 15h15. Com isso, ajudou a formar uma nova geração de apreciadores do gênero, responsável pela “redescoberta” do mito Zé do Caixão.

Carlos Primati