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OZUALDO
CANDEIAS

100 ANOS

Ozualdo Candeias (1922-2007) foi um dos mais criativos cineastas que o Brasil já revelou. Precursor do cinema de autor e do Cinema Marginal - seu filme A Margem (1967),  considerado um dos maiores filmes brasileiros, é um pioneiro do movimento - e nome de destaque da prolífica e popular produção da região conhecida como Boca do Lixo. O diretor é aclamado, desde o início de sua carreira, por sua originalidade e criatividade. O uso e o domínio da câmera na mão, os enquadramentos inusitados e de rara força e beleza, a síntese através da montagem e a fuga da redundância e dos caminhos fáceis são características de suas opções estéticas.

Em quase toda sua filmografia, Candeias realizou as atividades de diretor, roteirista, fotógrafo e montador; além disso, o cineasta nunca se limitou a um tipo específico de produção, mesmo no cinema de ficção. Candeias imprimiu sua marca em obras de gêneros distintos, seja no drama existencial em A Margem (1967, Prêmio Governador do Estado de São Paulo e Prêmio Instituto Nacional de Cinema); no “faroeste de terceiro mundo” cru de Meu Nome É… Tonho (1969); na primeira versão brasileira em cinema de uma peça de Shakespeare em A Herança (1971, Melhor diretor no V Prêmio Air France de Cinema, RJ e Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte); ou no poético e pungente retrato da condição feminina na violenta migração de mulheres do campo para a cidade em Aopção ou As Rosas da Estrada (1981, Prêmio Leopardo de Bronze no 34º Festival Internacional de Cinema de Locarno).

A obra de Candeias, no entanto, permanece pouco conhecida no país, especialmente entre o público mais jovem. Sua filmografia, recentemente restaurada e digitalizada, conta com 33 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Vários desses filmes continuam inéditos em canais de TV e plataformas de streaming, à espera de uma grande estreia, especialmente no centenário de nascimento do diretor. A exibição das obras de Candeias, além de resgatar filmes de grande relevância histórica, revelará a arte de um dos nossos maiores cineastas para inúmeros novos espectadores.

 

A Heco Produções realizou, em 2002, a primeira mostra completa de sua obra, a Retrospectiva Ozualdo R. Candeias - 80 Anos (CCBB-SP) e produziu, em 2013, o documentário de longa-metragem Ozualdo Candeias e o Cinema (18º É Tudo Verdade - Mostra Competitiva Brasileira; Festival do Rio 2013; 8ª Cine OP). Duas exposições sobre sua obra também foram realizadas no Museu da Imagem e do Som (2012) e no CINESESC (2017). Atualmente, a Heco prepara o novo longa-metragem Cineboca a partir de imagens inéditas do diretor.

Nos últimos anos, as obras de Candeias tiveram reconhecimento em diversas mostras e festivais internacionais, como:

 

- IFFR – International Film Festival Rotterdam – 2012

- FID Marseille - Marseille Festival of Documentary Film – 2012

- MoMA - Museum of Modern Arts – New York - 2012

- 20º BAFICI - Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente - 2018

- 14ª PlayDoc International Film Festival – Espanha

- 2018 - Museo Reina Sofia (Espanha) – 2012

- 7º Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba - 2018